terça-feira, 21 de maio de 2013

A GLOBO E A COMISSÃO DA VERDADE DESCOBREM A AMÉRICA NA QUESTÃO DA TORTURA NO BRASIL


Bomba! Bomba!  
“A tortura a presos políticos no Brasil começa já em 1964, logo após o golpe.”

      Esta notícia teve grande destaque ontem no Jornal Nacional e no Jornal da Globo. A emissora usou dados da Comissão da Verdade que precisou de um ano de intenso trabalho para fazer a "bombástica" revelação.

      Caspite!

      Se os membros da CV ou os jornalistas da Globo tivessem lido Pedro e os Lobos, Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano já teriam esta informação desde dezembro de 2009, quando o livro foi lançado.

      Assim, pelo andar da carruagem, esse pessoal vai precisar de mais um ano para anunciar, no mesmo tom bombástico, que também houve uma série de mortes nos meses seguintes a tomada do poder pela milicada.

      Desprezar a pesquisa séria e demorada dos historiadores que se debruçaram sobre o assunto nestes últimos trinta anos parece ser a tônica da Comissão.


       Eu mesmo, que passei sete anos escarafunchando arquivos, fazendo entrevistas e lendo jornais da época, sequer serei ouvido. 


       Aliás, me ofereci para colaborar de graça ao pessoal da Comissão nacional e da estadual aqui de São Paulo e fui sumariamente descartado.


       Portanto, se você quer conhecer, com um ano de  antecedência, a maioria das revelações que a Comissão deverá fazer no final de 2014, mais outras que nem deverão ser aferidas por ela, leia Pedro e os Lobos.


      Em suas 640 páginas estão, em detalhes, os antecedentes do golpe, o AI-5 e o “Milagre Brasileiro”. Tem também as guerrilhas de Três Passos, desconhecida pela maioria dos brasileiros, de Caparaó e Araguaia.


      No livro você vê ainda todas as ações armadas, atentados, sequestros e assaltos a banco e trens pagadores; as prisões, tortura e morte de presos políticos e o mistério sobre o desaparecimento de Onofre Pinto. 

      Fora tudo isso, mo livro você encontrará episódios que a Comissão da Verdade nunca vai abordar, como as ações da esquerda que viraram roubadas e a mina de ouro de Lamarca perdida no Vale do Ribeira.

       Fechando esse completo painel dos Anos de Chumbo, em Pedro e os Lobos você lê ainda a luta pela anistia, as greves do ABC e as Diretas Já


      Tudo isso mais a louca vida de Pedro Lobo de Oliveira.

Abaixo, vão alguns trechos que descrevem o que o público da Globo só ficou sabendo ontem.

E é importante ressaltar que essa constatação desmonta o argumento de que a violência contra os opositores do regime só começou em 1968 como forma de reação às ações armadas da esquerda.

Começa a crueldade

Gregório, vestindo apenas um calção preto, com a cabeça fraturada sangrando, banhado de suor, com os pés que haviam sido introduzidos em soda cáustica e os pulsos feridos pelas algemas também sangravam. Com uma corda de três pontas amarrada no pescoço era arrastado por um grupo de verdes soldados, seguido por um carro de combate. O tenente-coronel Darcy Vilocq enlouquecido agitava uma vareta de ferro e pronunciava palavras carregadas de ódio, um ódio urgente, quem sabe com medo que o tempo acabasse e a história se invertesse. Injuriava um homem de setenta anos, um velho militante comunista, seu prisioneiro, acrescentando a tortura física, a agressão psicológica, na verdade ultrajando o povo e o exército brasileiro.
Mércia Albuquerque Ferreira no site www.dhnet.org.br.

Diante do golpe, o líder camponês Gregório Lourenço Bezerra ainda tenta armar um foco de resistência em Pernambuco reunindo voluntários nas terras da Usina Pedrosa, próximo a cidade de Cortês. Preso no dia 2, ele será transferido ao Recife para ser humilhado em praça pública.
Amarrado pelo pescoço e algemado, o veterano comunista, de 64 anos, vai ser espancado nas ruas da capital numa espécie de aperitivo da violência que os opositores do regime vão experimentar daqui para frente. Aos berros, o tenente-coronel Darcy Vilocq, que comanda o macabro desfile, anuncia:

Gregório Bezerra vai ser enforcado na Praça de Casa Forte. Venham ver!"
O prisioneiro só não morre ali porque o coronel Hélio Ibiapina lembra o colega de farda que ele não pode ser morto porque ainda não fora interrogado.
Epidemia suicida

Das treze mortes relacionadas no Dossiê Dos Mortos e Desaparecidos em 64, oito referem-se a suicídio.          
                                                                                              Do livro, Dos Filhos Deste Solo.
                
      A violência política instalada no Brasil a partir do golpe vai encontrar campo fértil nas salas de interrogatório onde as informações exigidas dos inimigos da pátria serão arrancadas a ferro e fogo. Um excesso aqui, outro ali, e os suicídios vão servir de justificativa quando a truculência provoca algum acidente de trabalho.
               
      8 de abril. Preso na Guanabara, Antogildo Paschoal Viana – o tesoureiro da Federação Nacional dos Estivadores e dirigente do PCB teria se atirado do 5º andar do Hospital Iapetec da Avenida Brasil. No mesmo dia, o 2º sargento do Exército Bernardino Saraiva teria se dado um tiro na cabeça. Isso, depois de ferir quatro dos militares que tentam prendê-lo na cidade gaúcha de São Leopoldo.
                
      Outro que, pela versão oficial, resolve se suicidar em abril é o militante do PCB e funcionário do Departamento de Correios e Telégrafos da Bahia, Pedro Domiense Oliveira. No dia 9, ele teria ingerindo substância tóxica numa sela do Quartel General da 6ª Região Militar de Salvador, onde está incomunicável. Neste caso, fica difícil entender como um preso isolado em uma cela forte consegue veneno para se matar.
                
       17 de abril. Conforme a polícia política carioca, às 5 da tarde o mecânico e membro do Sindicato dos Ferroviários da Leopoldina, José de Souza – que está preso há nove dias para averiguações – se atira da janela do 3° andar do prédio da Polícia Central, sede do Serviço de Atividades Antidemocráticas do Dops.

As mortes estranhas de comunistas e sindicalistas entram pelo mês de maio. Ainda no dia 1º, na cidade mineira de Divinópolis, o militante do PCB Carlos Schirmer – de 68 anos – é baleado ao ser preso em sua casa. Levado a um hospital de Belo Horizonte, ele morre cinco dias depois. Para variar, na versão oficial consta como causa mortis o suicídio.

No caso de outro preso – Manuel Alves de Oliveira – a repressão sequer se preocupa em montar uma versão que encubra o assassinato. Preso no Regimento Andrade Neves para responder um inquérito militar, o 2º sargento vai ser removido ao Hospital Geral do Exército onde morre no dia 8, sem que sejam determinadas, oficialmente, as circunstâncias do de seu óbito.

Fora essa epidemia suicida, os dois primeiros meses da Revolução Redentora dos militares vai terminar com mais de três mil cidadãos superlotando as celas destinadas aos presos políticos.

Mais suicídios 

(...) houve comunicação que às 9:20 horas, um homem havia se atirado pela janela do 4° andar do Ministério da Justiça, caindo no pátio interno, morrendo imediatamente. Tratava-se de Dilermano Mello do Nascimento que, desde o dia 12 último, vinha, na sala n° 05, do Serviço de Administração do dito Ministério, prestando declarações em inquéritos administrativo-policiais(...). Hoje, quando aguardava prosseguimento do inquérito, Dilermano trancou-se na dita sala, cuja maçaneta apresentava defeito e, em seguida, projetou-se por uma janela. Com o morto, dentre outros pertences, havia um bilhete em que se lê:  ‘15/08/64. Basta de tortura mental e desmoralização’, com assinatura ilegível. 

                                                                  Registro de Ocorrência n° 2046 da 3ª Delegacia de Polícia.

No segundo semestre de 64, mais dois presos políticos vão morrer depois de serem presos pela polícia. Nas causas registradas nos atestados de óbito: suicídio.

15 de agosto. Oficialmente o 1º tenente do Exército e veterano da Segunda Guerra, Dilermano Mello do Nascimento, de 44 anos, pula pela janela do 4º andar do prédio do Ministério da Justiça no intervalo do interrogatório a que está sendo submetido. O ex-pracinha ainda teria deixado um bilhete dizendo-se cansado da tortura mental e da desmoralização por estar preso.
                
      No dia 1º de setembro. O corpo do ex-presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas e militante do Partidão, Newton Eduardo de Oliveira, dá entrada no IML do Rio. A causa da morte no laudo necrológico: suicídio.

Mais dois opositores do regime simplesmente sumirão nas mãos dos militares em setembro. Presos logo depois do golpe, o sapateiro e ex-vereador, João Alfredo Dias e o lavrador Pedro Inácio de Araújo – membros das Ligas Camponesas de Sapé – na Paraíba – são levados ao 15º Regimento de Infantaria de Aracaju.

Os militantes do PCB são torturados até setembro quando desaparecem do quartel do Exército. Tempos depois, dois corpos carbonizados são encontrados na estrada que liga João Pessoa a Caruaru. Testemunhas afirmam serem de João Alfredo e Pedro Inácio aqueles cadáveres.
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2 comentários:

  1. Francy Granjeiro22 de maio de 2013 06:44

    O PIG TA PUTO….DILMA ACABOU DE MATAR O RESTINHO QUE AINDA TEM.
    Dilma Rousseff é a segunda mulher mais poderosa do mundo na lista da Forbes
    http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2013/05/22/dilma-rousseff-e-a-segunda-mulher-mais-poderosa-do-mundo-na-lista-da-forbes.htm

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  2. NEPÓTISMO NAS FORÇAS-ARMADAS{EM QUAL LEI VÃO ENQUADRALOS} ** PT**UMA ESTRELA ENTRE CONSTELAÇÔES???

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