
Estou esperando a imortalidade. E não é através duma vaga na Academia Brasileira de Letras, não. É a imortalidade física mesmo.
Quando decodificaram o genoma humano, pensei:
- Pronto! Tô eterno. Que esses cabras logo logo vão anunciar que chegaram a imortalidade, já que eles têm o esquema todo na mão.
Qual o que! Já foi uma década pro saco e ainda nada!
Criança ainda, eu já me imaginava tomando um elixir da juventude qualquer que me deixasse eternamente jovem. Via isso nos gibis, nos livros de aventura e nos filmes. Tinha que ser verdade. E as histórias de Peter Pan e a Terra do Nunca me ajudaram a viajar nesse sentido.
Mas revirei feiras, casa de ervas e supermercados pra nunca achar o tal frasquinho com o tal líquido maravilhoso.
No auge da juventude, não me interessei mais por isso. Tinha vida de sobra e a morte, àquela altura, tinha pra mim um outro sentido. Até pensei em pegar em armas para derrubar a ditadura, mesmo sabendo que o risco de sucumbir no processo era imenso. "Você não está indo pruma festa", me avisaram. "Está é indo pruma guerra!"
Foi depois dos cinquenta, com a velhice já ameaçando bater a porta, que a questão da eternidade entrou em pauta novamente na minha cachola.
Afinal, morrer prá que, se não acredito em vida depois da morte?
Me resta então torcer pros cientistas de plantão - e como não manjo picas de Química ou de Biologia, nem posso dar nenhuma contribuição nesse sentido - avancem o suficiente nesse negócio de células tronco ou de clonagem.
Esse é o único jeito de garantir que daqui, no máximo, trinta anos - estarei com oitenta até lá, se não estrebuchar antes - haja a possibilidade de prolongar a minha vida uns trinta ou quarenta anos.
Daí, vou ganhando tempo, já que novos avanços devem prolongar esse prolongamento e, assim, successivamente, até a definitiva descoberta da imortalidade.
Quem de vocês, caros perseguidores, também tá nessa?
João Grandão.
ResponderExcluirA imortalidade no sentido estrito deve ser uma grande chatisse.
Não me importo de morrer antes dos 200 anos, tendo aproveitado bem a vida até o fim.
Enquanto isso, ainda há a possibilidade da Academia Brasileira de Letras...
Chato é morrer, caro Wolff. E eu odeio o modelo daquele fardão.
ResponderExcluirPortanto, você que é biólogo trate de se esmerar aí na USP pra dar uma força neste sentido.
Quem sabe a criação dum elixir da eterna juventude não passe pelo desenvolvimento dum micro organismo novo.
E é bom trabalhar rápido, porque a cada segundo que passa, me sinto mais envelhecido.